"Guerra" à criminalidade violenta é a meta do novo comandante distrital da PSP

José Matias David, de 49 anos, chamado a chefiar o Comando Distrital de Setúbal da PSP em substituição de Guedes da Silva, garante «muito rigor» na gestão de uma casa que bem conhece. Foi o 2.º comandante distrital nos últimos quatro anos, por isso afirma, em entrevista ao "Região de Setúbal Online", estar «preparado para o novo desafio» e estabelece como metas «reduzir a criminalidade violenta e baixar os números negros da sinistralidade rodoviária no distrito».

Quarta, 12/04/2006 - 23:00

Estes são as duas principais metas do novo comandante que promete mão pesada para os infractores. «A sinistralidade rodoviária tem números muito preocupantes e tenho de fazer alguma coisa, mesmo sendo inconveniente e não agradando à maioria dos cidadãos. Vou tomar medidas para inverter a situação», avisa. Por outro lado, propõe-se a reduzir os níveis de criminalidade em todas as suas vertentes, «em especial a violenta que é aquela que mais toca as famílias e a sociedade e cujos efeitos, por vezes, são irreversíveis». O comandante lamenta que nos últimos anos a criminalidade violenta tenha subido um pouco e aponta o dedo à própria comunicação social que «por vezes desautoriza as forças de segurança quando estas estão em pleno exercício». «Quando tomamos certas medidas estamos a tentar disciplinar uma situação anómala e a criar condições para que toda a gente viva em equilíbrio», esclarece. Nos bairros mais críticos do distrito (sobretudo os bairros sociais de Setúbal e Almada) promete agir com «maior visibilidade e reforço policial» para tentar resolver os problemas da criminalidade e da sinistralidade rodoviária. O responsável reconhece que a prevenção «é muito importante e tem de cobrir todo o distrito», mas «em termos de direccionamento da intervenção há que privilegiar os pontos mais problemáticos. O Intendente Matias David revela ainda que aceitou de bom grado o novo cargo e tem consciência da «tarefa difícil» que tem pela frente. «É um desafio para qualquer oficial na polícia servir num distrito como Setúbal, pelas suas grandes assimetrias sociais e económicas. Há muita pobreza e alguma criminalidade associada, onde se nota muito o flagelo da droga». No entanto, o responsável garante «muito rigor» nas novas funções e compromete-se a «gerir de forma muito equilibrada os recursos do comando». Matias David admite que a sua nomeação para comandante distrital pode não ter o apoio de todos, mas assegura que está no cargo para «servir o melhor possível o cidadão» e exige rigor a toda a gente. «Fui gestor financeiro desta casa e fui muito rigoroso nessas funções. Sinto que não agrado a muita gente com a minha tomada de decisão, mas não vou mudar», promete, pois garante que essa «é a solução para os problemas». Questionado sobre os principais problemas do Comando de Setúbal, Matias David prefere dizer que «o país é pobre e os recursos disponíveis são de facto escassos, mas o muro das Lamentações está em Jerusalém, não em Portugal». Ainda assim, adianta que existem alguns problemas estruturais, a nível das instalações do próprio comando que são antigas e já pouco funcionais. Mas compreende que «há prioridades e o que é mais urgente tem que ter uma solução rápida». A Divisão do Barreiro é o caso mais complicado no distrito, mas «em breve terá novas instalações na Quimiparque porque o projecto já está em execução».

Por Vera Marianoenviar

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