… que eu não pago!

Eu gosto de beber café e também é uma ajuda para as minhas manhãs, já que não sou o que os americanos chamam de “morning person”, alguém que gosta de acordar cedo e prefere as suas manhãs. Mas isso não é a principal razão de gostar tanto desta bebida cheia de cafeína, gosto mesmo dela e gosto tanto que insisto em beber os meus cafezinhos sem açúcar.

Como tenho alguém em casa que prefere os cafés mais doces (sim, sim, também tenho uma daquelas máquinas do famoso “what else?” do George Cloney), pego nos pequenos pacotes que não utilizo e levo-os comigo - afinal estão pagos. Quando comecei a não utilizar açúcar no café não pensei nisso e deixava os pacotes intactos na própria chávena. Tinha um desconto por não utilizar um elemento incluído no preço? Não!

Pense agora na nossa sociedade actual e mentalmente lembre-se de quantas vezes está a pagar por algo que não consome. Cada vez mais vemos (e experimentamos) um acréscimo de mecanização na nossa sociedade. Temos supermercados com caixas em que somos nós que passamos os produtos, bombas de gasolina em que enchemos os depósitos dos nossos próprios carros e, mais dentro do tema desta coluna, imensos serviços na Internet para fazermos nós mesmos.

Pense no seu banco, por exemplo, todos os serviços que disponibiliza pela Internet poupam imenso tempo e muita paciência. Sem filas, sem deslocações, sem contrapartidas por estar a fazer todo o trabalho. Nem um descontozinho! E neste momento está a pensar no que poupa em algumas taxas. Mas será que poupa mesmo? Todo o capital que lhe é cobrado para “guardar” o seu dinheiro, não devia cobrir essas pequenas taxas ou apenas está a trocar o pagamento de uma taxa de transferência por trabalho? Quanto custa essa mesma transferência? 50, 60, 70 cêntimos? É esse o valor pelos seus 5 minutos de trabalho.

Por JL Andradeenviar

25/06/2010 - 12:37
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