Administradora da NAER contesta aeroporto em ‘Lego’
O PSD diz que a conjuntura nacional obriga o Novo Aeroporto Internacional de Lisboa a ser construído por módulos. O PS garante que os social-democratas estão errados e o mesmo diz a administradora da NAER. Paula Alves afirma que é inviável o aeroporto ser construído tipo «Lego».
Segunda, 21/09/2009 - 14:40
A construção do Novo Aeroporto Internacional de Lisboa, em Alcochete / Montijo, entrou na agenda das Legislativas como mais uma das matérias fracturantes entre o PS e o PSD. Para os social-democratas a conjuntura nacional obriga a que esta infra-estrutura seja construída por «módulos», para poupar custos, mas o cabeça-de-lista do PS pelo distrito aponta esta solução como «um falso ganho». Para Vieira da Silva a estratégia do PSD «não resolve o problema do esgotamento a curto prazo da Portela» e, ao mesmo tempo, «penaliza o distrito de Setúbal que iria assumir todos os custos e apenas uma pequena parte das vantagens». Portanto «é preciso construir um aeroporto que substitua a Portela».
A hipótese adoptada pelo PSD é também rebatida pela administradora da NAER – Novo Aeroporto S.A., que não aceita o argumento de uma infra-estrutura desta dimensão ser pensada segundo a conjuntura actual. «Um aeroporto não pode ser concebido com uma visão assente em conjunturas. Tem de ter uma visão estratégica de longo prazo». Ou seja, a opção do PSD «retira competitividade ao país e impede o desenvolvimento da região de Setúbal», infere.
Num almoço, no Montijo, com os candidatos do PS pelo Círculo Eleitoral de Setúbal, Paula Alves lembrou que o tráfego aéreo «tem recuperado sempre depois de uma crise», portanto «não faz sentido manter a Portela e construir aos bocadinhos um aeroporto em Alcochete / Montijo». Esta construção, ao estilo «Lego», cria ainda uma solução dual «com grandes prejuízos para os passageiros». «Poderia acontecer as pessoas aterrarem num aeroporto e irem a correr para a outra margem para apanharem a ligação». O resultado seria «a perda de tráfego».
No plano da poupança Paula Alves também não vê vantagens na solução defendida pelos social-democratas. Para além da disponibilização do terreno, montagem de redes de abastecimento e estabilização da plataforma implicar «custos idênticos qualquer que seja o tamanho do aeroporto», manter os dois aeroportos «obriga a uma duplicação de custos em serviço de bombeiros, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, polícia, equipamentos de handling e recursos humanos», entre outros. «Isto gera uma clara ineficiência de custos». Aliás, segundo a administradora da NAER, «todos os países com a nossa dimensão de tráfego (14 milhões de passageiros por ano) que optaram pela solução de dois pequenos aeroportos não tiveram bons resultados».
Para Paula Alves não há assim qualquer dúvida de que a opção certa é a defendida pelo PS, de avançar com a construção de um Novo Aeroporto Internacional de Lisboa em Alcochete / Montijo, dimensionado para receber em 2017 – ano de entrada em funcionamento – um tráfego de 22 milhões de passageiros/ano. Com isto, «o país terá uma maior centralidade na Europa, e melhor ligação ao continente asiático e americano». Para a região «terá um efeito multiplicador dos vários sectores da economia» quer pela «atracção de empresas», quer pela criação de emprego qualificado. «Sem considerar a fase de construção, só a operação do aeroporto gera cerca de mil empregos directos por cada milhão de passageiros», refere a administradora da NAER.
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