Agricultores grandolenses estão “apreensivos” com Herdade da Comporta

A Associação de Agricultores do Distrito de Setúbal (AADS) admitiu ontem a possibilidade de recorrer a diversas formas de luta, face à recusa da administração da Herdade da Comporta em manter os contratos de arrendamento rural com centenas de rendeiros.

Sexta, 30/07/2010 - 08:56

“Estamos muito apreensivos, porque a Herdade da Comporta pretende fazer contratos de campanha, de um a cinco anos”, disse à Lusa Avelino Antunes, da AADS, após uma reunião efectuada ontem de manhã com a administração da empresa.

Avelino Antunes revelou que a associação propôs, como primeira opção, a celebração de novos contratos de arrendamento rural, por um período de sete anos, e a eventual realização de contratos de campanha apenas quando existisse acordo entre os agricultores e a Herdade da Comporta.

A administração da Herdade da Comporta já admitiu publicamente que não pretende afastar os agricultores rendeiros e justifica o facto de não ter permitido a renovação automática dos contratos de arrendamento rural com a necessidade de clarificar a situação de todos os rendeiros.

Em declarações recentes à Agência Lusa, o administrador Carlos Beirão da Veiga admitiu, no entanto, que a empresa pretende celebrar contratos de campanha, em detrimento dos contratos de arrendamento rural.

“Os agricultores preferem os contratos de arrendamento rural, por sete anos, que dão mais garantias, mais estabilidade e permitem um acesso mais fácil a linhas de crédito e outras ajudas”, argumenta o dirigente da AADS, Avelino Antunes, convicto de que o problema nasceu com a aprovação da nova Lei do Arrendamento Rural.

“A nova Lei do arrendamento rural põe em causa o direito a produzir, põe em causa os interesses e os direitos dos agricultores rendeiros e é uma lei que, do nosso ponto de vista, viola as normas constitucionais”, disse.

“Daí que tenhamos apelado ao Governo, Assembleia da República e a todas as forças políticas, para que tomem posição sobre esta matéria, e para que esta lei, que parece feita de encomenda para os grandes proprietários, seja imediatamente suspensa e substituída por uma outra, que garanta o direito a produzir”, acrescentou.

Os agricultores da Herdade da Comporta reuniram-se ontem à noite, na junta de freguesia do Carvalhal, para analisarem o resultado da reunião da AADS e da Comissão de Rendeiros com a administração da empresa.

A Associação de Agricultores garante que não está excluída nenhuma forma de luta que venha a ser aprovadas pelos agricultores da região.

Por Lusa

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