Litoral quer novo traçado para ligação ferroviária entre Sines e Grândola

Uma equipa do Instituto Superior Técnico tem uma alternativa ao traçado da REFER para a ligação ferroviária de transporte de mercadorias entre Sines e Grândola que considera causar «impactos ambientais muito menos gravosos» e reduzir «os custos da obra». A REFER não põe de lado esta hipótese.

 

Sexta, 30/10/2009 - 15:20

A equipa do Instituto Superior Técnico (IST), liderada pelo professor Costa Lobo, considera possível estudar uma alternativa à proposta da REFER para a ligação ferroviária de mercadorias entre Sines e Grândola. Os especialistas consideram que uma solução de ligação Sines/Ermidas-Sado, através da Serra de Grândola/Cercal, «causaria impactes ambientais muito menos gravosos».

Segundo a nota técnica do IST, «o aproveitamento do actual espaço-canal da Linha do Sul» tem «menor extensão» e «menores custos de minimização de impactes ambientais e urbanísticos», o que pode levar à «redução de custos» face à proposta da REFER. A proposta prevê um valor de obra de cerca de 100 milhões de euros, ou seja, menos 70 milhões do que o custo estimado pela REFER.

Os especialistas consideram que a proposta da REFER é um atentado ao princípio da solidariedade regional», um «atentado urbanístico» e «ecológico», por «quebrar o ecossistema que vai da Serra de Grândola até à faixa costeira lagunar», destruindo ainda pinhal e montado.

Esta é uma das principais críticas do presidente da Câmara de Santiago do Cacém, que sempre se manifestou contra o traçado apresentado. «A solução da REFER conduz à destruição de cerca de sete mil sobreiros, vai passar a 250 metros do Hospital do Litoral Alentejano, vai condicionar o Badoca Safari Park e destruir propriedades e os recursos das pessoas». Além disso, alerta para os prejuízos em termos ambientais e de receitas turísticas já que «ter uma linha de ferrovia a passar entre Santo André e Santiago é um entrave à atracção turística».

Já a REFER «não põe de lado» o estudo de alternativas «se isso vier a ser determinado superiormente», refere um representante da empresa, Luís Pedro Cota. «Ainda não temos orientações, quer da administração, quer da tutela, para estudarmos outra proposta que não aquela que apresentámos na Agência Portuguesa do Ambiente e que se encontra em fase de Estudo de Impacte Ambiental (EIA) suspenso, por um período de 90 dias», clarificou.

Entretanto, uma comissão que integra as câmaras de Santiago do Cacém, Grândola e Beja, o Núcleo Regional do Litoral Alentejano da Quercus e ainda a Associação Protectora do Montado Contra a Ferrovia Relvas Verdes - Grândola Norte, vai pedir uma audiência ao novo ministro das Obras Públicas para o sensibilizar para a necessidade de se encontrar uma alternativa.

 

 

Por Vera Mariano

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