Marchas Populares têm novas regras

O Concurso das Marchas Populares de Setúbal 2005, orçado em 150 mil euros, tem uma nova cláusula que permite à autarquia penalizar os marchantes que provoquem os habituais incidentes após a entrega de prémios. A vereadora da Cultura, Maria das Dores Meira, afirma que as sanções passam pela desclassificação da marcha que provoque distúrbios e a sua interdição de participação no ano seguinte.

Quarta, 08/06/2005 - 23:00

«O espectáculo não pode ficar manchado com distúrbios devido a comportamentos menos correctos por parte de alguns marchantes e responsáveis das marchas», frisa a autarca, sublinhando que «há que aceitar a decisão do júri». Oliveiros do Rosário, da marcha do Faralhão, concorda com a nova cláusula do regulamento, desde que «a manifestação de descontentamento contenha agressão e provocação», porque quem «prevarica deve ser castigado». Epiménio Mendonça, da União Praiense, que também ‘aplaude’ as novas regras, refere que «as marchas têm de se contentar com a decisão do júri», sublinhando que «sair à rua com a marcha já é uma vitória». Por sua vez, Acácio Guerreiro, do Rancho das Praias do Sado, diz que «a classificação do júri tem de ser aceite com educação». Todavia, opina que «os pagamentos dos subsídios da autarquia devem ser entregues a tempo e horas às colectividades, o que não acontece há dois anos consecutivos». Outra novidade avançada este ano, pela autarquia, é a do pagamento aos membros do júri, o que é criticado pela ex-vereadora da Cultura, Paula Costa. A ex-autarca não compreende a necessidade de os membros do júri serem remunerados com 400 euros, relembrando que no seu tempo «todos participaram graciosamente». Admirada com a decisão, diz que «sempre tivemos júris de alto gabarito nas marchas, de Setúbal e de fora de Setúbal, e apenas lhes pagámos o jantar e o transporte». Fonte do gabinete da vereadora Maria das Dores Meira esclarece que para garantir a isenção na avaliação do júri foi necessário recorrer a figuras de Lisboa, sublinhando que «todos eles aceitaram participar desde que fossem remunerados». Além dos 400 euros em dinheiro, a autarquia garante o transporte. O júri é constituído por Paulo Rocha (bailarino e coreógrafo), Carlos Mota (artista plástico), Maria Valejo (fadista) e Paula Granja (actriz e organizadora de eventos). O presidente, que só intervém em caso de empate, é Eduardo Pereira Marques (dirigente associativo). As oito marchas a concurso, que foram subsidiadas pela autarquia com 14.500 euros, desfilam no sábado, a partir das 22h00, na Avenida Luísa Todi, pela seguinte ordem: Clube Recreativo da Palhavã; Cooperativa de Habitação do Faralhão "Bem-Vinda a Liberdade"; Associação Ultra-Furacões Sadinos; Rancho Folclórico de Praias do Sado; Grupo Desportivo da Fonte Nova; União Cultural, Recreativa e Desportiva Praiense; Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense e Núcleo de Amigos do Bairro Santos Nicolau. A empresa Cimentos Nacionais e Estrangeiros (C.N.E) é o patrocinador do evento.

Por António Luísenviar

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