Rendeiros da Comporta exigem contratos de arrendamento rural

Os rendeiros da Herdade da Comporta reafirmaram quinta-feira “apoio total” às propostas apresentadas pela Comissão de Rendeiros e pela Associação de Agricultores do Distrito de Setúbal (AADS) à administração da empresa, para celebração de novos contratos de arrendamento rural.

Sexta, 30/07/2010 - 11:06

“Os agricultores manifestaram apoio total à proposta que apresentámos à administração da Herdade da Comporta, no sentido de celebrar novos contratos de arrendamento rural, por um período de sete anos, e não contratos de campanha, por um período de um a cinco anos, como pretende a empresa”, disse à Lusa Avelino Antunes, da AADS.

“A nossa proposta admite que sejam celebrados contratos de campanha, mas apenas nos casos em que os agricultores estejam, de acordo”, acrescentou Avelino Antunes, no final de uma reunião com agricultores realizada quinta-feira à noite, na junta de freguesia do Carvalhal.

A AADS informou os rendeiros das negociações com a administração da Herdade da Comporta, que tiveram lugar na manhã de quinta-feira, em que reafirmou a exigência de manutenção dos contratos de arrendamento rural, considerados mais vantajosos para os agricultores.

Os agricultores alegam que, entre outras vantagens, os contratos de arrendamento rural dão “mais garantias, mais estabilidade e permitem um acesso mais fácil a linhas de crédito e outras ajudas, ao contrário do que acontece com os contratos de campanha”.

Por outro lado, contestam um novo regulamento interno da Herdade da Comporta, que dizem conter regras muito penalizadoras para os rendeiros e que “só permite a circulação de tractores em estradas de terra batida”.

A administração da Herdade da Comporta denunciou os contratos de arrendamento rural com centenas de rendeiros e pretende substitui-los por contratos de campanha, de um a cinco anos, mas a AADS ainda espera que esta proposta seja reconsiderada.

“Vamos aguardar pela resposta da administração, que nos foi prometida para a primeira semana de Setembro”, disse Avelino Antunes, reconhecendo, no entanto, que a “nova Lei do Arrendamento Rural, que liberalizou as rendas, veio favorecer os grandes proprietários, como é o caso da Herdade da Comporta”

“É uma lei que, em nossa opinião, viola a Constituição da República e que parece ter sido feita por encomenda”, disse o dirigente da Associação de Agricultores do Distrito de Setúbal.

 

Por Lusa

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