Vereadores PS chumbam manutenção do preço da água em Almada

Os três vereadores do PS na Câmara Municipal de Almada votaram contra a proposta de manter as tarifas e preço da água para 2010, alegando “ser um tarifário penalizador para os munícipes”.

Quinta, 04/03/2010 - 09:44

A proposta foi apresentada ontem à noite na reunião pública quinzenal da Câmara de Almada por José Gonçalves (CDU), presidente dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS), e mereceu nove votos favoráveis de CDU, BE e PSD e três votos contra do PS.

“Este é um mau tarifário porque a água a partir de 15 metros cúbicos de consumo mensal é 20 por cento mais cara em Almada do que no Seixal”, sustentou o socialista Paulo Pedroso, acrescentando que “esta não é uma questão ideológica porque o município do Seixal é tão CDU quanto este”.

Outra das razões apontadas pelos vereadores do PS para o voto desfavorável é a questão das “famílias numerosas serem penalizadas, uma vez que são tratadas do mesmo modo que um agregado familiar que tenha só uma pessoa e que desperdice água”.

Segundo Paulo Pedroso, a questão dos escalões é “uma falha e estão mal feitos”, e explicou: “Se um munícipe num mês consumir cinco metros cúbicos de água paga 0,51 euros por cada metro, mas se no mês seguinte consumir seis, muda de escalão e ser-lhe-á cobrado 0,69 euros por cada metro cúbico de água consumido.”

“Em vez de pagar 0,51 euros até ao 5.º metro cúbico e pagar os 0,69 euros a partir do 6.º metro, são cobrados os 0,69 euros logo a partir do 1.º metro cúbico”, repudiou.

Em resposta, José Gonçalves rejeitou a avaliação feita pelos vereadores socialistas e referiu que a “proposta em questão é a de manter os preços que já vigoravam" e garantiu que "foram tidas em conta as dificuldades das famílias”, considerando a intervenção “desadequada”.

Maria Emília de Sousa, presidente da autarquia, relembrou que “existem outros municípios, nomeadamente Lisboa, onde existe uma empresa que vende a água, mas também existem outros, como é o caso de Almada, que fazem a captação da água e isso implica custos muito diferentes”.

A fechar o debate, a autarca alertou para a “falsa questão das famílias numerosas, porque há famílias em que pai e mãe recebem o ordenado mínimo, mas também há famílias numerosas em que pai e mãe auferem de ordenados bastante elevados”.

“Mas em Almada há quem não pague a água, mas também não fica sem ela e tendo em conta as dificuldades das famílias todos os munícipes podem pagar as facturas em prestações”, sustentou.

 

Por Lusa

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