Vereadores questionam encerramento de mercados municipais no Seixal

Três vereadores (PS, PSD e BE) na câmara do Seixal entendem que o encerramento de dois mercados municipais levado a cabo pela ASAE “poderia ter sido evitado”, alegando que o assunto era do conhecimento da câmara desde 2008.

Sexta, 12/03/2010 - 12:12

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) visitou há duas semana os mercados municipais de Paio Pires e do Casal do Marco e decidiu encerrá-los por “não estarem reunidas as condições para o bom funcionamento”, conforme notificação.

A questão foi levantada hoje durante a reunião pública da câmara do Seixal, realizada quinzenalmente.

O vereador socialista, Samuel Cruz, acusou a câmara de ser “irresponsável”, porque “permitiu durante dois anos que a situação de avançada degradação dos mercados continuasse” e acrescentou que se trata de “uma situação que pôs em risco a saúde pública”.

Para o vereador social-democrata, Paulo Cunha, “não é compreensível não terem sido feitas as devidas intervenções nos mercados a tempo de evitar o seu encerramento”.

Outros mercados do concelho foram apontados por Luís Cordeiro (BE), como os mercados das freguesias da Cruz de Pau e de Corroios, que referiu “estarem nas mesmas condições há 35 anos, sendo que estão a degradar-se de dia para dia”.

“Tem que haver mais apreço pelo comércio local, no sentido de evitar o arrastamento de cada vez mais pessoas para as grandes superfícies”, realçou, defendendo a execução de obras que tornem os mercados municipais mais atractivos.

Em resposta, Joaquim Santos (CDU), vice-presidente da autarquia, admitiu que a legislação evoluiu e que “os mercados não conseguiram acompanhar as exigências actuais”. No entanto, garantiu que “já há algum tempo que a câmara vinha a conversar com a junta de freguesia de Paio Pires [detentora dos mercados encerrados], no sentido de ser construído um único mercado que servisse as populações das freguesias afectadas”.

“Consultámos a população e a nossa opção foi posta de parte porque não iria prestar um melhor serviço aos munícipes”, acrescentou o autarca.

Alfredo Monteiro (CDU), presidente da autarquia, adiantou que a decisão final, depois de ter sido ouvida a população e as juntas de freguesia, foi a da “recuperação total dos mercados já existentes”.

As obras a serem realizadas nos mercados em conformidade com a lei são a exigência de bancas em inox, de circuito de água quente e de arcas frigoríficas, entre outras.

“Estamos a falar de investimento público, é certo que a câmara tem que investir para servir as populações, mas tem que ser um investimento cuidado, rentável e bem aplicado”, frisou o autarca, acrescentando que “esta é a política de mercados adoptada pelo município”.

A Lusa contactou vendedores nos mercados, que afirmam “estar de mãos atadas” enquanto não forem feitas as obras.

Não havendo ainda previsão para o início das obras, foi encontrada uma solução de compromisso para com os vendedores: foram disponibilizados espaços nos outros mercados municipais - Seixal, Torre da Marinha e Pinhal dos Frades - para que provisoriamente consigam trabalhar e terem a sua forma de sustento, indicou a Câmara.

Por Lusa

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