Vitorino e Janita Salomé abriram FMM

As portas do Castelo de Sines abriram-se ontem ao som do cante alentejano “renovado”, com a estreia de um espectáculo em que Vitorino e Janita Salomé e o Grupo de Cantadores do Redondo cantam António Lobo Antunes.

Quinta, 29/07/2010 - 13:58

A 12.ª edição do Festival Músicas do Mundo (FMM), em Sines, começou ontem no Castelo de Sines com um espectáculo de música tradicional portuguesa do Alentejo “renovada”.

Flauta, piano eléctrico, sax soprano, clarinetes e contrabaixo juntam-se ao bombo, à tarola, ao pandeiro e ao timbalão, para acompanhar a “moda alentejana renovada”, com textos escritos propositadamente para o projecto por António Lobo Antunes e música dos irmãos Salomé.

Este tipo de “renovação”, dizem os líderes do projecto, “é um grande risco”, mas não uma novidade, já nos anos 50 e 60, o Trio Guadiana introduziu novos instrumentos.

“Mexer na moda alentejana com pinças, com muito cuidado” - é assim que Vitorino descreve este trabalho, que, para além do espectáculo de ontem, vai originar, ainda este ano, um CD, que provavelmente terá edição própria.

Em entrevista à agência Lusa, Vitorino e Janita sublinharam que hoje em dia “ninguém quer editar discos” e, por isso, decidiram eles editar. “Somos corajosos, damos o peito à bala”, assumem.

Este projecto acaba por ser “um regresso ao princípio” do que “inspirou” e “motivou” os irmãos Salomé, que trabalham agora como “uma família”, como exige o espírito do “cante alentejano”, com o Grupo de Cantadores do Redondo, que ajudaram a fundar nos anos 70.

”A moda alentejana esteve sempre presente tanto nas coisas que o Janita canta como nas que eu canto e de vez em quando voltamos lá, é um looping”, disse Vitorino, que confessou, antes do concerto, estar “receoso” da reacção do público.

Cerca de 1500 pessoas assistiram à inauguração da 12.ª edição do FMM, em Sines, com um espectáculo em português, que juntou no palco 32 músicos, aplaudidos e assobiados, que regressaram ao palco no final para um cante alentejano, como manda a tradição, sem acompanhamento musical.

O FMM leva este ano a Sines 26 bandas dos cinco continentes do mundo, sendo 12 dos concertos de entrada gratuita, algo que o presidente da Câmara de Sines, Manuel Coelho, considera reforçar a ideia de que o festival, organizado e promovido pela autarquia, “é um serviço público”.

“Vimos este festival como um serviço público, com concertos baratos e outros gratuitos”, sublinhou o autarca, que pretende acentuar o “carácter universalista, a cultura e a partilha de emoções e experiências”, tendo afirmado pretender mostrar que se pode “fazer um festival de qualidade com o mínimo de custos”.

Por Lusa

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