O novo presidente da Comissão Política Distrital (CPD) de Setúbal do PSD não quer que o partido perca tempo com um congresso extraordinário e avance já para directas. «O partido precisa rapidamente de liderança», afirma.
Para já Pedro do Ó Ramos não revela quem poderá apoiar para comandar o partido a nível nacional, alegando que para o presidente da CPD seria «prematuro pronunciar-se». Uma coisa é certa, o novo líder acredita que uma candidatura que se cole muito a Manuela Ferreira Leite poderá ser uma “má moeda para o partido” e desvenda que esta não contaria com o seu voto. «Depois da maneira como a presidente do partido tratou o distrito, não posso apoiar uma candidatura que venha desse lado».
Aliás, para Pedro do Ó a colagem de Luís Rodrigues com a direcção nacional, como secretário-geral adjunto, para além da diferença de discurso e de propostas, terá pesado nos resultados eleitorais para a CPC, de 29 de Janeiro. No universo do distrito a lista do novo presidente conseguiu 808 votos, enquanto a de Rodrigues teve apenas 674 votos.
Luís Rodrigues venceu em mais concelhias, a surpresa foi isso não ter sido suficiente na contagem final. O candidato derrotado venceu em Alcochete, Moita, Montijo, Grândola, Sines, Seixal e Setúbal, e perdeu em Almada, Barreiro e Santiago do Cacém.
Contudo, a diferença de votos no Barreiro e Santiago terá sido a grande responsável pela vitória de Pedro do Ó, que obteve, respectivamente, 191 votos contra 14 e por 98 contra 13 votos. Um forte contributo para os 134 votos que dividiram as duas listas.
Com este resultado, e tendo em conta a diferença de votos segundo a área geográfica, surge a questão se o novo presidente terá, ou não, problemas em unir o partido. Para Luís Rodrigues esta é uma falsa questão e alega que «as diferenças acabaram a seguir às eleições», sendo agora tempo de «tratar da questão interna do PSD». Do mesmo modo Pedro do Ó diz estar descansado e preparado para «unir o partido» e fazer um mandato que «será um desafio» pelo muito trabalho que é preciso fazer com os militantes e com os autarcas eleitos pelo partido.
A tese de união do partido é também evocada por Bruno Vitorino que vê na vitória da sua lista uma penalização à lista adversária que optou por «uma campanha destrutiva». Para o novo presidente da mesa, Pedro do Ó Ramos protagonizou a ética política e por isso foi eleito presidente da CPC.