Oitenta por cento dos trabalhadores da produção aderiram à greve na Visteon

Oitenta por cento dos trabalhadores do sector da produção da Visteon de Palmela aderiram às greves parciais que decorreram nos últimos dois dias para exigir “actualizações salariais e mais estabilidade no emprego", disse ontem à Lusa fonte sindical.

Segundo Paulo Ribeiro, do Sindicato das Indústrias Eléctricas do sul (SIESI), os trabalhadores da Visteon poderão aderir também à paralisação marcada para 12 de Março em todo o sector das indústrias eléctricas se, entretanto, não obtiverem qualquer resposta da administração às reivindicações que apresentaram.

Os trabalhadores da Visteon, que ontem terminam dois dias de greves parciais de duas horas por cada turno, alegam que não tiveram nenhuma actualização salarial em 2009 apesar dos lucros registados na fábrica de Palmela.

Segundo Paulo Ribeiro, o responsável da divisão electrónica da empresa nível mundial admitiu, recentemente, que a fábrica de Palmela foi uma das que permitiu segurar o grupo durante a crise financeira mundial, “porque teve sempre lucros”.

A Visteon é uma fábrica de produção de compressores, auto rádios e outros componentes para automóveis que chegou a ter mais de 2 000 funcionários, mas, actualmente, tem apenas cerca de 1.250 trabalhadores.

Segundo dados do Sindicato das Indústrias Eléctricas do sul, ao longo dos últimos 18 anos a empresa terá recebido apoios financeiros do Estado português que ascendem a mais de 200 milhões de euros.